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sábado, 4 de junho de 2016

Menino muda depoimento sobre tiro que matou colega após perseguição



Segundo o garoto, de 11 anos, eles estavam rendidos quando houve o tiro.
Meninos roubaram carro e trocaram tiros com a polícia em perseguição.






Na madrugada de sexta-feira, dois meninos furtaram um carro e foram perseguidos pela polícia na zona sul de São Paulo. O garoto mais novo, de dez anos, foi baleado na cabeça e morreu. Ele foi enterrado na manhã deste sábado (4). Ontem o amigo dele, de 11 anos, mudou o depoimento que tinha dado à polícia.
Os dois meninos pularam o muro de um condomínio, no Morumbi, zona sul de São Paulo, na quinta-feira à noite e roubaram um carro que estava parado com as chaves no contato. O porteiro achou que eram moradores e abriu a garagem.
Câmeras de segurança gravaram pouco depois, o carro roubado sendo acompanhado por policiais de moto e nas viaturas. Segundo a polícia, um tiro foi disparado de dentro do carro.
A imagem não mostra o momento em que o carro roubado bateu na traseira de um ônibus e de um caminhão, que estava parado. Desgovernado o carro quase atingiu um dos policiais que correram e cercaram o veículo.
Os policiais disseram no boletim de ocorrência que o menino que dirigia o carro fez mais um disparo na direção deles e houve revide. O menino de dez anos levou um tiro na cabeça e morreu. O outro se entregou. A polícia disse que um revólver foi encontrado no carro, com três capsulas deflagradas.
No primeiro depoimento ontem de manhã, o menino de 11 anos, que estava acompanhado pela mãe, confirmou que foi o garoto de dez anos quem atirou nos policiais e depois do revide, foi atingido.

À noite, o menino de 11 anos prestou um novo depoimento à polícia e disse que houve troca de tiros durante a perseguição policial, mas que não houve confronto quando o carro já estava parado.
Ariel de Castro Alves, advogado e membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos, acompanhou o depoimento. “O que diferenciou do primeiro depoimento que ele prestou é que no final, quando eles batem o carro, não teria ocorrido um confronto que nesse momento o policial teria disparado e atingido a cabeça do menino mais novo. Podemos concluir pelo depoimento que foi dado que ao final não teria tido o confronto e poderia sim ter tido uma execução”.
A Secretaria de Segurança Pública disse que o caso está sendo apurado e que a Corregedoria da Polícia Militar também abriu inquérito. Por enquanto, os policiais envolvidos vão ficar afastados das ruas.
Segundo a Polícia Militar, os dois meninos têm três passagens pela polícia este ano por furtos. Eles já foram atendidos mais de 20 vezes em várias unidades do conselho tutelar de São Paulo.

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